Morro da Casa Verde exalta fé e sincretismo em homenagem a Santo Antônio

Morro da Casa Verde exalta fé e sincretismo em homenagem a Santo Antônio

A Escola de Samba Morro da Casa Verde levou à avenida um desfile marcado pela fé, pelo sincretismo e pela força da ancestralidade.Com o enredo “Santo Antônio de Batalha faz de mim Batalhador”, desenvolvido pelo carnavalesco Ulisses Bara, a escola construiu uma narrativa que transitou entre a tradição católica e as manifestações das religiões de matriz africana, dialogando com o imaginário popular em torno da devoção ao Santo Casamenteiro.

A comissão de frente, coreografada por Ana Carolina Vilela, apresentou na pista uma representação do orixá Exu. A proposta apostou na expressividade corporal e na força dos movimentos, sem o uso de adereços ou grandes elementos cenográficos, valorizando a interpretação dos componentes e a simbologia do personagem central daquele primeiro momento.

Logo na sequência, a primeira ala simbolizou o orixá Ogum — que na Bahia é associado a Santo Antônio — reforçando o elo entre o catolicismo e as religiões de matriz africana. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, João Lucas e Juliana Souza, apresentou os movimentos tradicionais do quesito, como o desfraldar do pavilhão, giros e contragiros, incorporando ainda uma coreografia que remetia a danças de terreiro e gestos que simulavam a incorporação, ampliando a leitura temática da apresentação.

O abre-alas foi uma grande saudação a Exu, explorando suas diferentes manifestações — o orixá Exu, os Exus e as Pombas-Giras, conhecidos na Umbanda como “catíços” — destacando a dualidade presente na figura espiritual. O primeiro setor do desfile, predominantemente em vermelho e preto, reforçou essa simbologia, com destaque para a tradicional ala das baianas vestidas de Pomba-Gira, fortalecendo o sincretismo proposto pela escola.

Nas fantasias, o Morro apostou em um colorido vibrante e em um conjunto dinâmico e alegre, que contribuiu para o impacto visual do desfile. Em seguida, surgiram referências às festas dedicadas a Santo Antônio, com alegorias adornadas por bandeirinhas típicas das festas juninas, fazendo alusão às celebrações realizadas tradicionalmente no mês de junho e ao imaginário popular ligado ao santo.

O segundo carro alegórico trouxe uma leitura histórica ao fazer referência à primeira Igreja de Santo Antônio no Brasil, localizada na Bahia. À frente da alegoria, Dona Guga — baluarte do Morro da Casa Verde e do samba paulistano — desfilou acompanhada pela Velha Guarda e por crianças da comunidade, reforçando o elo entre tradição e renovação. Na segunda parte do acoplado, a representação da igreja foi complementada por componentes caracterizados como quadrilha e noivos, simbolizando o Santo Casamenteiro e dialogando com o imaginário popular das festas e dos rituais de casamento.

A bateria, comandada por Léo Bonfim, manteve o andamento do samba com paradinhas e bossas que valorizaram o canto da comunidade e do público presente. A fantasia dos ritmistas trouxe a figura de Santo Antônio, homenageado no enredo. O intérprete Wantuir, pelo segundo ano consecutivo na escola, também surgiu caracterizado como o santo, reforçando a centralidade da temática ao longo da apresentação.

A Morro da Casa Verde encerrou seu desfile sem intercorrências, concluindo a passagem pela avenida com organização e coerência temática.

Fotos: Alessandra Domênico


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