Ensaios Técnicos de 31/01: Ajustes, Estratégias e Emoção Marcam a Noite no Anhembi

Ensaios Técnicos de 31/01: Ajustes, Estratégias e Emoção Marcam a Noite no Anhembi

Penúltima noite de ensaios técnicos no Sambódromo do Anhembi contou com arquibancadas lotadas. Em evento gratuito e com forte adesão do sambista paulistano, as escolas de samba Mancha Verde, Águia de Ouro, Estrela do Terceiro Milênio, Rosas de Ouro, Mocidade Unida da Mooca e Camisa Verde e Branco realizaram seu último ensaio técnico antes do desfile oficial.

MANCHA VERDE

A Mancha Verde voltou ao Sambódromo do Anhembi para realizar seu segundo ensaio técnico visando o Carnaval 2026, apresentando novamente o enredo “Pelas mãos do mensageiro do Axé, a lição de Odu Obará: a humildade”, reedição do desfile de 2012, desenvolvido pelo carnavalesco Rodrigo Meiners.

Logo na abertura, a comissão de frente, assinada pelos premiadíssimos coreógrafos Marcos Kazan e Wendel Luciano, mais uma vez se apresentaram ao público presente no Anhembi com fantasias de desfiles anteriores, que remetem às indumentárias dos Orixás, dialogando diretamente com o universo do Candomblé e do Ifá, reforçando os elementos religiosos e culturais propostos pelo enredo.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira formado por Adriana Gomes e Thiago Bispo, mais uma vez se apresentou ao público presente no Sambódromo do Anhembi com muita elegância, movimentos precisos e clareza na proposta que será apresentada no desfile oficial.

Em conversa com nossa equipe, Thiago Bispo comentou sobre os ajustes feitos diante da mudança na posição das cabines dos jurados. Segundo ele, a alteração trouxe desafios, principalmente pela altura e proximidade das cabines.

“Achamos essa mudança bastante complicada. Quando começamos os ensaios específicos, ainda não havia uma definição clara da posição das cabines, então adotamos uma estratégia de entrada mais adiantada, para que o jurado tenha uma visão total da nossa apresentação e não fique nenhuma dúvida”, explicou.

Thiago também destacou que, entre a terceira e a quarta cabine, o casal conta com o apoio da escola na movimentação da evolução, já que os módulos são muito próximos. “Nossa proposta é fazer uma apresentação completa, clara e segura, para que o jurado não tenha nenhuma sombra de dúvida do que estamos apresentando”, completou.

A Bateria Puro Balanço, comandada pelos mestres Cabral e Viny, manteve sua identidade rítmica durante o ensaio. À frente dos ritmistas, a princesa Duda Serdan. No carro de som, Freddy Vianna conduziu o samba-enredo contando com a resposta positiva da comunidade e do público presente nas arquibancadas.

A Mancha Verde será a quarta escola a desfilar pelo Grupo de Acesso 1, no dia 15 de fevereiro, apostando na força do enredo, no canto da comunidade e na evolução do conjunto para buscar o retorno ao Grupo Especial.

ÁGUIA DE OURO

A Águia de Ouro retornou ao Sambódromo do Anhembi para o seu segundo ensaio técnico e que, diferente do primeiro, não houve chuva, contribuindo para que a escola mais uma vez apresentasse a sua evolução e canto muito característicos da comunidade da Pompeia.

Tivemos a oportunidade de conversar com Robson Bernardino, coreógrafo da Comissão de Frente. Segundo ele, o trabalho foi estrategicamente adaptado às novas disposições das cabines de julgamento.

“Essa alteração da cabine dos jurados trouxe um certo benefício, mas também é um risco, porque é algo novo. A cabine está mais próxima da entrada, então temos cerca de seis minutos para chegar à primeira. Por isso, adaptei as três coreografias que apresentamos para que o jurado consiga ver tudo: saudação, apresentação da escola e desenvolvimento coreográfico, de cabine em cabine”, explicou.

O casal oficial de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Alex Malbec e Monalisa Bueno, apresentou mais uma vez uma dança segura, precisa e coesa, demonstrando entrosamento e domínio técnico.

“Estamos usando uma técnica que permite nos apresentarmos de frente para o módulo, garantindo que o jurado veja claramente o início e o final da apresentação. Nas duas últimas cabines, que ficam muito próximas, utilizamos o tempo técnico do recuo da bateria para respirar e seguir para o último jurado com tranquilidade”, destacou Monalisa Bueno.

A Batucada da Pompeia, sob o comando do Mestre Rodrigo Neves (Mestre Moleza), que estreia na escola em 2026, manteve sua tradicional afinação e regularidade rítmica ao longo de todo o ensaio. À frente da bateria, a rainha Renata Spalicci brilhou com seu carisma.

No carro de som, os intérpretes Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto conduziram o samba-enredo com segurança, empolgando os componentes e o público presente nas arquibancadas.

Antes do ensaio, nossa equipe conversou com a diretora de Carnaval, Jaque Meira, que falou sobre os ajustes finais da escola, o trabalho técnico desenvolvido nos últimos dias e a importância do segundo ensaio como termômetro para os últimos alinhamentos antes do desfile oficial.

Com o enredo “Mokum Amsterdam – o voo da Águia à cidade libertária”, assinado pelo carnavalesco Alexandre Louzada, o Águia de Ouro será a segunda escola a desfilar no sábado, dia 14 de fevereiro, pelo Grupo Especial.

ESTRELA DO TERCEIRO MILÊNIO

No segundo ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, a Estrela do Terceiro Milênio voltou à pista acompanhada por uma comunidade numerosa e vibrante, reafirmando a identidade e a força da escola do Grajaú na preparação para o Carnaval 2026.

A comissão de frente, assinada pelo coreógrafo Régis Santos, que em 2026 celebra 50 anos de trajetória no Carnaval, apresentou novamente um trabalho impactante, com forte apelo visual e simbólico, apoiado por um elemento cenográfico imponente. Diferente de narrativas lineares tradicionais, a proposta aposta em quadros coreográficos inspirados diretamente na letra do samba-enredo, traduzindo sentimentos, emoções e momentos marcantes da obra do homenageado.

“Pela primeira vez faço um trabalho que não segue uma história de começo, meio e fim. São quadros construídos em cima da letra do samba. A comissão do Milênio 2026 é a vida, a obra, a alma, as conquistas, os tropeços, a poesia e as lágrimas de Paulo César Pinheiro. Temos um samba riquíssimo, lindíssimo, e vamos trazer muitas surpresas e muita emoção”, destacou Régis Santos.

Grazzi Brasil e Darlan Alves conduziram o canto da escola com intensidade, empolgando componentes e arquibancadas ao longo de todo o percurso.

O casal oficial de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Arthur Santos e Waleska Gomes, apresentou uma dança segura e elegante, demonstrando preparo físico, sintonia e estratégia diante das novas disposições das cabines de julgamento, destaque para o figurino apresentado, onde a Waleska fez homenagem à Clara Nunes, enquanto o Arthur veio com uma indumentária remetendo a religião de matriz africana.

“A estratégia precisou mudar porque os dois últimos jurados são muito próximos. É resistência, respiração, foco e equilíbrio. A gente vai dosando a energia, sem perder a nossa dança tradicional, que é a essência da Estrela, mas com um temperinho especial que o público vai ver no dia do desfile”, explicou Waleska Gomes.

A Bateria Pegada da Coruja, comandada pelo Mestre Vitor Veloso mais uma vez empolgou o público presente na arquibancada, com uma coreografia em frente a Monumental. Apresentou o seu andamento característico e com convenções bem executadas. À frente dos ritmistas, a rainha Savia David se destacou pelo samba no pé e pela conexão com a bateria.

Com o enredo “Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro, uma viagem pela vida e obra dos poetas das canções”, desenvolvido pelo carnavalesco Murilo Lobo, a Estrela do Terceiro Milênio será a quinta escola a desfilar no sábado, dia 14 de fevereiro.

ROSAS DE OURO

A Sociedade Rosas de Ouro retornou ao Sambódromo do Anhembi para o seu segundo ensaio técnico na preparação para disputar o bicampeonato.

A escola apresentou uma evolução segura, com componentes cantando forte e mantendo o ritmo do início ao fim do percurso.

A comissão de frente, novamente coreografada por Arthur Rozas, reafirmou a proposta cênica do enredo “Escrito nas Estrelas”, trazendo à avenida um elemento cenográfico com movimentos e formações pensadas para garantir leitura clara diante das recentes alterações no posicionamento das cabines de julgamento.

“Essa mudança é uma novidade no Carnaval de São Paulo. Eu subi até as cabines para entender a altura e analisar o cenário de todas as formas, justamente para proteger o projeto coreográfico. O objetivo é garantir que os jurados consigam ver os balizamentos e execuções com segurança no dia do desfile”, explicou Arthur Rozas.

O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Uiliam Cesário e Isabel Casagrande, apresentou uma dança precisa, elegante e estrategicamente adaptada ao novo formato de avaliação, demonstrando domínio técnico e entrosamento ao conduzir o pavilhão da escola.

“A gente precisou deixar a apresentação mais compacta, trabalhando muito pelas laterais, para que o jurado tenha uma visualização melhor. Antes as cabines eram mais altas, agora é praticamente frente a frente. No começo estranhamos, principalmente nas duas cabines muito próximas, mas com os ensaios a gente se adaptou”, destacou Isabel Casagrande.

A Bateria com Identidade, sob o comando do Mestre Rafa Oliveira, manteve sua assinatura musical com bossas e convenções. À frente dos ritmistas, a rainha Ana Beatriz Godoy brilhou novamente, com figurino temático alinhado à proposta do enredo.

No carro de som, Carlos Jr. comandou a ala musical com seu tradicional grito de guerra, conduzindo o samba-enredo com técnica e empolgação. Outro momento marcante do ensaio foi a presença da famosa astróloga Márcia Sensitiva, que confirmou que irá participar do desfile oficial.

A Rosas de Ouro será a quinta escola a desfilar na sexta-feira, dia 13 de fevereiro, pelo Grupo Especial, levando à avenida o enredo desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Ricardo, que segue em seu segundo ano à frente do projeto da escola.

MOCIDADE UNIDA DA MOOCA

A Mocidade Unida da Mooca (MUM) voltou ao Sambódromo do Anhembi para o seu segundo ensaio técnico reafirmando o bom momento vivido pela escola após a conquista do vice-campeonato no Grupo de Acesso do último Carnaval, resultado que garantiu, de forma inédita, sua presença no Grupo Especial.

Com uma comunidade vibrante e participativa, a escola apresentou uma evolução segura e envolvente, demonstrando confiança e entrosamento ao longo de todo o percurso.

A comissão de frente, novamente sob a responsabilidade de Sabrina Cassimiro, mostrou unidade e precisão nos movimentos, evidenciando o amadurecimento do trabalho e a leitura clara da proposta do enredo na pista.

O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Jefferson Gomes e Karina Zamparolli, que segue pelo terceiro ano consecutivo defendendo o pavilhão da agremiação, realizou uma apresentação consistente, com técnica, energia e boa comunicação com o público e com os módulos de julgamento.

A Bateria Chapa Quente manteve sua identidade rítmica e empolgação, levantando as arquibancadas em um dos momentos mais marcantes da noite: o paradão realizado em frente à Arquibancada Monumental, que levou o público ao delírio e evidenciou a sintonia entre ritmistas, comunidade e torcida. À frente da bateria, a rainha Valeska Reis brilhou com carisma e samba no pé.

Destaque para o carro de som com os intérpretes Emerson Dias, Gui Cruz e a estreante Sthe Oliveira. O time conduziu o samba com firmeza e empolgação, convidando a sua comunidade e o público presente no Sambódromo do Anhembi a cantar o samba durante todo o ensaio.

Com o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, desenvolvido pelo carnavalesco Renan Ribeiro, a Mocidade Unida da Mooca será a primeira escola a desfilar na sexta-feira, dia 13 de fevereiro, abrindo os desfiles do Grupo Especial.

CAMISA VERDE E BRANCO

O Camisa Verde e Branco voltou ao Sambódromo do Anhembi para o seu segundo ensaio técnico, sendo a última da noite a se apresentar e contando com casa cheia. O sambista paulistano ficou presente até de madrugada aguardando o Trevo da Barra Funda realizar o seu ensaio. A escola será a responsável por encerrar os desfiles do Grupo Especial, no sábado, 14 de fevereiro.

Levando à pista o enredo “Abre Caminhos”, desenvolvido pelo carnavalesco Guilherme Estevão, estreante no Carnaval paulistano, a agremiação apresentou uma evolução consistente, demonstrando organização e entrega de seus componentes.

A força da comunidade foi um dos pontos altos do ensaio, com a escola ocupando a passarela de forma compacta e vibrante, garantindo bom rendimento no canto e na evolução ao longo de todo o percurso.

O pavilhão oficial do Trevo da Barra Funda foi conduzido pelo casal Marquinhos e Lyssandra Grooters, que apresentou uma dança segura, com vigor nos movimentos, mantendo o padrão de excelência exigido para o quesito.

A Bateria Furiosa da Barra, comandada pelos mestres Jayson e Jeferson, manteve regularidade e impacto sonoro, confirmando o trabalho desenvolvido para o desfile oficial. À frente dos ritmistas, Sophia Ferro brilhou como rainha de bateria, ao lado da madrinha Thais Vasconcellos, estreante no Carnaval de São Paulo.

No carro de som, o ensaio foi conduzido pelo time de canto, pois o intérprete oficial Charles Silva não esteve presente em função da sua jornada dupla no Carnaval do Rio de Janeiro.

Destaque para a comissão de frente chamou atenção ao executar movimentos característicos as danças de matriz africana, com referências a Exu Orixá, Pombagiras e Exus (catiços) cultuados na Umbanda e Ifá, reforçando a dimensão espiritual e simbólica proposta pelo enredo.

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