Os ensaios técnicos do dia 23 de janeiro reuniram Morro da Casa Verde, Vai-Vai e Mocidade Unida da Mooca em apresentações marcadas por comunidade forte, bom desempenho técnico e atenção às mudanças no posicionamento das cabines dos jurados, antecipando o clima dos desfiles oficiais.
MORRO DA CASA VERDE
A escola da Zona Norte foi a primeira a descer a pista neste fim de semana e aproveitou ao máximo seu único ensaio técnico, levando à avenida uma comunidade animada e cantando forte do início ao fim.
A comissão de frente, coreografada por Ana Vilela, apresentou uma coreografia em que os movimentos apresentados remetem as danças e rituais dos ferreiros de religiões de matriz africana, dialogando diretamente com o enredo, que aborda o sincretismo entre Santo Antônio e Exu.

Durante o esquenta para o ensaio, conversamos com a coreógrafa sobre a mudança no posicionamento das cabines dos jurados. Ana destacou que, apesar de acreditar que a cabine mais próxima do chão possa dificultar um pouco a visão ampla do desenho coreográfico — especialmente por não permitir uma leitura de cima —, a equipe tem ensaiado e pensado o trabalho levando esse fator em consideração. Segundo ela, o grupo está confiante de que o resultado será bem compreendido na avenida.
Também conversamos com a primeira Porta-Bandeira da escola, Juliana Souza. Questionada se a coreografia do casal terá movimentos relacionados ao enredo, ela revelou que, além dos passos tradicionais, haverá, sim, elementos que dialogam com o tema. “Vai ter um dendezinho do enredo”, afirmou, destacando que o público conseguirá perceber essa conexão que ela e seu Mestre-Sala, João Lucas, irão apresentar em seu bailado.

A Bateria do Morro, comandada pelo estreante Mestre Léo Bonfim, executou bossas ao longo do ensaio e contou à frente com sua corte formada pela rainha Maisa Magalhães, a madrinha Andreya Venâncio e a musa Aritha Silva e sua comunidade contou com a presença da icônica Baluarte, Dona Guga.

No carro de som, Wantuir, intérprete oficial da escola, deu voz a um dos sambas mais cantados desta temporada.
A escola disputará o Grupo de Acesso 2 e será a sétima a desfilar no dia 7 de fevereiro, trazendo para o Sambódromo o enredo “Santo Antônio de batalha, faz de mim batalhador”, do carnavalesco Ulisses Bara.


VAI-VAI
A “Escola do Povo” veio para o seu primeiro ensaio técnico acompanhada de uma comunidade grandiosa e apaixonada, sua principal característica.
A comissão de frente, assinada pela dupla Priscila Paciência e Diego Santos, apresentou uma encenação utilizando um elemento cenográfico, contribuindo para a narrativa do enredo.

Em conversa com a coreógrafa sobre a mudança na localização das cabines dos jurados, ela avaliou que a alteração não deve atrapalhar o julgamento. No entanto, destacou que o jurado posicionado mais próximo ao chão pode não conseguir captar a coreografia em toda a sua magnitude, já que uma visão mais afastada proporciona uma leitura mais ampla do espetáculo coreográfico.
O desfile deste ano marca a estreia de Pedro Trindade e Mirelly Nunes como primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da escola. Bastante emocionado, Pedro nos concedeu algumas palavras e ressaltou a importância do apoio de familiares, amigos e diretoria para o sucesso do trabalho a ser apresentado. Segundo ele, é nessas pessoas que o casal se fortalece para seguir adiante com a honra de ostentar o pavilhão da escola.

A Bateria Pegada de Macaco, comandada pelos mestres Tadeu e Beto, manteve suas características marcantes e contou com Madu Fraga como rainha e Rosiane Pinheiro como madrinha. O carro de som trouxe a voz potente de Luiz Felipe, conduzindo o samba-enredo com força e emoção.


A Escola levará para a avenida o enredo “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Paulicéia” e será a sexta escola a desfilar na sexta-feira de Carnaval, dia 13 de fevereiro.

MOCIDADE UNIDA DA MOOCA
A Mocidade Unida da Mooca, ou MUM, como é carinhosamente chamada, conquistou no último Carnaval o segundo lugar, garantindo, pela primeira vez em sua história, uma vaga no Grupo Especial. Para o ensaio técnico, a escola chegou à avenida mostrando toda a alegria e a força de sua comunidade.

A comissão de frente, comandada pelo segundo ano consecutivo por Sabrina Cassimiro, demonstrou grande sintonia entre seus componentes, refletindo o entrosamento do grupo.

O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Jefferson Gomes e Karina Zamparolli segue, pelo terceiro ano, ostentando o pavilhão da escola. De acordo com Jefferson Gomes, a estratégia adotada pelo casal diante da alteração na localização das cabines dos jurados, é desenvolver a coreografia a partir da letra do samba. Em conjunto com a escola, o objetivo é chegar às cabines sempre “na cabeça do samba”, permitindo a execução completa da apresentação para os jurados. Além disso, o casal tem intensificado a preparação física, já que as duas cabines estarão próximas, exigindo maior explosão corporal e resistência nos movimentos.

A Bateria “Chapa Quente”, sob o comando do mestre Dennys Silva, executou, segundo o próprio mestre, o mesmo projeto que vem sendo trabalhado há cerca de oito a nove meses. Desde antes do início oficial dos ensaios, a bateria já tinha definidos os desenhos de tamborim, de terceira e as bossas. Confiantes no trabalho desenvolvido, a direção afirma que não haverá alterações para o desfile em relação ao que foi apresentado no ensaio técnico. A Bateria traz a sua frente, a belíssima Rainha Valeska Reis.



No carro de som, a intérprete Sté Oliveira passa a integrar o seleto grupo de vozes femininas que ocupam a primeira voz em um carro de som. Ao lado dos intérpretes Emerson Dias e Gui Cruz, conduziu o canto da comunidade, mantendo o samba forte e bem cantado do início ao fim.
Com o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, desenvolvido pelo carnavalesco Renan Ribeiro, a Mocidade Unida da Mooca será a primeira escola a se apresentar na sexta-feira, dia 13 de fevereiro.
