Atual campeã e terceira escola a cruzar o Porto Seco, a Imperadores do Samba apresentou o enredo “Orin Alá – Canto para Sonhar”, celebrando a história de uma princesa negra raptada em seu reino e mantida como escrava no Brasil, que mantinha sua alegria através dos cânticos que entoava para lembrar de suas origens. O enredo teve a autoria do carnavalesco Eduardo Caetano.


A travessia de kalunga foi o marco inicial do desfile, a comissão de frente anunciava um presságio sobre uma grande mudança no futuro da princesa. O primeiro casal representava um rito de amarração do corpo. O abre alas com um gigante baobá foi o último vislumbre da princesa de sua terra natal.




O segundo carro foi o grande navio negreiro responsável pelo rapto da princesa e sua jornada até o Brasil.





O terceiro carro abordou o sincretismo religioso entre o candomblé africano e o catolicismo imposto pelos senhores de escravos da época. A teatralização expressiva dos orixás nas laterais do carro alternando com as imagens dos respectivos santos católicos mostrou a persistência negra em manter sua fé viva.





O último carro representou o poder da Princesa Orin de transportar os irmãos de senzala de volta a África durante o transe causado por sua música, as savanas africanas vislumbradas pelos escravizados faziam a composição da alegoria que encerrou o desfile da Imperadores.

O samba dos compositores Xoko Oliveira, Maguila, Zeca Swinguinho, Pedro Costa, Ramos Júnior, Gelson Pereira, Renan Ceará, Gustavinho Oliveira, Tabajara Ortiz, Alan Cardozo, Wilson Silva, Wagner Amaral, Doddy Souza, Nenê do Cavaco, Rafael Muniz, Neném do Banjo, Carlos da Rosa e Willian Tadeu foi cantado pelo intéprete Kauby Tavares.


Texto: Pedro Carmo
Revisão: João Salles
Fotos: Rafael Tubino

One thought on “Imperadores do Samba faz desfile tecnicamente perfeito e se credencia ao bicampeonato.”